quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

BRASIL 2014: A experiência de Emiliano Tolivia

RIO DE JANEIRO – A comparação da Copa da Alemanha com uma possível edição brasileira pode ser um tanto ingrata, visto que o torneio de 2006 é tido como um modelo de organização. E foi mesmo. No entanto, não foi perfeito. E, se uma margem mínima de erros é tolerada, a meta do Brasil é copiar o que deu certo e torcer para que as limitações do país não tirem o brilho de um segundo Mundial realizado por aqui. Abaixo, algumas experiências enfrentadas na cobertura feita pelo GLOBOESPORTE.COM.

O que deu certo:

LUGARES MARCADOS
Ir ao primeiro jogo da seleção foi um a aventura bem-sucedida, que certamente no Brasil dos dias atuais seria impossível de acontecer. Saí de Munique rumo a Berlim às 18h, cerca de 500km de distância. Cheguei no aeroporto da capital alemã às 20h. Peguei o primeiro táxi que vi até o estádio, onde fui deixado no ponto limite permitido pela polícia, já que as ruas próximas são fechadas. Após toda a correria, entrei no estádio e, enquanto Brasil e Croácia já se preparavam para dar o pontapé inicial, pude sentar tranqüilamente no meu assento de uma arquibancada absolutamente lotada.

DESLOCAMENTOS
A não ser em Marienfeld, onde Portugal montou sua base, pude chegar aos mais distantes pontos da Alemanha usando o inacreditável sistema de trens. Tanto dentro dos grandes centros como entre um e outro, tudo é interligado. Com a credencial da Fifa, minha viagem de uma cidade a outra era gratuita. Para saber os trajetos e os horários (tais como 9h37m e cumpridos à risca, salvo raras exceções), basta acessar o site próprio, que indica também as conexões necessárias.

EDUCAÇÃO
Antes de seguir para a abertura da Copa, entre Alemanha e Costa Rica, estive na Marienplatz, centro de Munique, para ver o encontro de todas as torcidas do mundo. Segui para estádio de metrô. Havia uma grande fila que, embora ordeira, era lenta. Só ao chegar perto pude perceber que, assim que todos os assentos eram ocupados, as pessoas paravam de entrar. O motivo? Havia dez estações adiante, e, se todo aquele povo ocupasse os vagões, mais ninguém conseguiria entrar. E isso era feito sem qualquer orientação policial! Cheguei ao estádio um pouco apertado, mas nada que lembrasse o horário de rush das principais capitais brasileiras.

ESTÁDIOS
Pequenos, como o de Nuremberg e Stuttgart, ou grandes, como o de Munique e Berlim, os estádios alemães são espetaculares. Confortáveis, seguros e com acessos espaçosos. O construído em Gelsenkirchen é modelo para eles, um cinco estrelas. Teto retrátil e gramado que sai para pegar um solzinho são apenas alguns dos luxos apresentados. Já a Arena de Munique, se ostenta a riqueza alemã por fora, por dentro é até simples, porém muito funcional. Os corredores de cimento são grandes e recheados de banheiros e lanchonetes. Nas paredes, os túneis de acessos muito bem numerados para ninguém se perder.

O que pode melhorar:

CONTROLE DE INGRESSOS
Para quem tinha credencial para entrar no estádio, mas não possuía um ingresso, assistir ao jogo não era uma tarefa difícil. O estádio de Munique, por exemplo, possuía uma espécie de geral informal, onde era possível ficar em pé logo atrás da última fileira de cadeiras, que certamente custavam uma boa soma de euros. Até na final, em Berlim, foi possível recorrer ao jeitinho brasileiro, que ganhou adeptos.

SEGURANÇA
Apesar de todo o medo em torno do terrorismo, a segurança da Copa do Mundo começou bem frouxinha. Eu mesmo desembarquei em Munique sem passar por qualquer detector de metal, o que só aconteceu na conexão em Lisboa. Nos primeiros jogos, o máximo que os controladores das entradas faziam era dar uma espiada dentro da mochila e olhe lá. Contra o Brasil, a torcida da Croácia usou e abusou de sinalizadores, teoricamente proibidos pela Fifa. O rigor só apertou na reta final, quando fui obrigado até a ligar o laptop na entrada do estádio para provar que não era uma bomba. Condizia mais com a neurose do mundo atual.

VOLUNTÁRIOS
Para quem esperava alemães sisudos, foi surpreendente. Além do povo, os voluntários foram extremamente simpáticos. E também solícitos, sorridentes, prestativos e... desinformados! Apesar da boa (ótima) vontade, arrancar informações simples tais como "por onde eu entro?" podia ser uma luta. Tinha sorriso, tinha comunicação, mas informação só depois de consultar o responsável, o único detentor de todos os caminhos. E nem sempre ele estava por perto.

FUTEBOL
Nesse aspecto, o Brasil vai precisar melhorar bastante...

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