RIO DE JANEIRO - Depois de fazer a cobertura jornalística de três Copas do Mundo, é possível concluir que há muito trabalho a fazer nos próximos sete anos e meio para que o Brasil consiga realizar um Mundial sem qualquer problema para seus participantes. Confira as características principais das Copas que acompanhei in loco:
. ESTADOS UNIDOS 1994
Há semelhanças com o Brasil no sentido das distâncias continentais. Os EUA compensaram a dificuldade de utilização da malha ferroviária com um eficientíssimo sistema de vôos. Qualquer cidade tinha um aeroporto com escalas e conexões para qualquer parte do país, sem necessidade de marcar com grande antecedência. Além disso, as estradas, mesmo as secundárias, estavam em estado de conservação impecável, e excepcionalmente sinalizadas. Ninguém deixou de chegar a qualquer local por não saber o caminho ou por enfrentar problemas no trânsito.
Principais lições para o Brasil
. Precisa tornar o sistema aéreo mais intenso e eficiente
. Precisa melhorar as condições das estradas
. FRANÇA 1998
Sistema eficiente de transporte, com linhas de trem e metrô para todas as partes do país e da cidade onde se disputava uma partida. Quem usou carro, pagou caro e com antecedência por uma vaga nos estacionamentos nos estádios. O trânsito fluiu bem porque havia alternativas para os motoristas utilizarem outras vias, não próximas ao estádio. Um dos problemas para turistas e jornalistas era que, nas cidades menores, próximas às sedes, os restaurantes fechavam impreterivelmente às 22h.
ALEMANHA 2006
Variedade grande de rotas de trem e metrô para se chegar a qualquer ponto do país. Um sistema informatizado nas estações permitia que o turista fizesse seu roteiro. Pontualidade absoluta na chegada e partida das composições. A deficiência na sinalização das estradas (com placas somente em alemão) era compensada pelo sistema de transporte e pela utilização, nos carros alugados, do sistema GPS de navegação por satélite.
Principais lições para o Brasil
. Precisa tornar eficiente o sistema de metrô, diminuir o tempo de passagem entre uma e outra composição
. Precisa um grande reorganização no sistema de acesso aos estádios nas principais cidades, para evitar os conhecidos engarrafamentos em torno de estádios como Maracanã, Morumbi e Arena da Baixada
. Precisa entender a natureza e a rotina do trabalho de jornalistas, e oferecer opções de alimentação e transporte seguro durante 24 horas por dia
Lições gerais para o Brasil
. Nos três Mundiais, não houve qualquer dificuldade relevante para a transmissão de matérias, seja de estádio, hotéis ou do meio da rua. Nos estádios, era facilmente perceptível a preocupação de funcionários Fifa ou voluntários em facilitar ao máximo o trabalho da mídia
. Nos três países, a preocupação com a segurança foi total. Não se andava 200 metros nas ruas sem que se visse algum policial. Qualquer país está sujeito a vandalismo, e os hooligans estão aí mesmo para provar isso. A diferença em relação ao Brasil é a sensação de impunidade da qual alguns torcedores brasileiros se aproveitam
. Em nenhum dos três mundiais houve qualquer registro de atraso na chegada de um treino, jogo ou coletiva de imprensa por problemas de engarrafamento, por questões climáticas, de tráfego aéreo, dos trens ou ônibus de mídia. A própria Deloitte, empresa que organizou as Copas de 2006 e 2010, lembrou ao presidente Lula que uma Copa tem muito mais chances de dar certo à medida que a imprensa não tem nenhuma queixa a fazer
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário