RIO - A pedido do GLOBOESPORTE.COM, quatro agências de publicidade e uma formanda da Faculdade de Belas Artes da UFRJ idealizaram cartazes para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil - o país disputa com a Colômbia, que entregou à Fifa a sua ficha de inscrição em 18 de dezembro, último dia do prazo dado pela entidade. Nos trabalhos, as empresas Copacabana Brasil, Percepttiva, Studio 311 e Minha Publicidade e a estudante Marcella Garcia deram suas interpretações para um toque brasileiro no Mundial.
Autora de outros cinco trabalhos (clique aqui para conferir), a Percepttiva adotou o lema "Somos feitos de futebol" para o cartaz escolhido por sua equipe de criação. "Para celebrar a inexplicável e incomensurável paixão pelo esporte, mostramos um jogador composto inteiramente por bolas de futebol. Ele é a representação do quanto o futebol toma conta de todos nós, e faz com que o mundo inteiro pare para ver a Copa", explica a agência.
O pôster do Studio 311 é uma "interpretação gráfica do Hino Nacional", explica a designer Gisela Valverde, sócia da empresa. "Ele faz vibrar as cores da nossa bandeira em todas as Copas, e parece que todo o Brasil deu a mão, todos ligados na mesma emoção, todos num só coração". E ela brinca: "E não dá para perder novamente em casa, como em 1950".
Para Marcella Garcia, que cursa o sétimo período de Desenho Industrial na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a idéia foi aproveitar a habilidade do jogador brasileiro. "E o desenho remete à irreverência", diz ela, referindo-se ao lance em que o atleta segura a bola na nuca. "E esta bola representa o mundo com todos os continentes que serão acolhidos no Brasil para a celebração do Mundial".
A agência Minha Publicidade aproveitou as cores da bandeira do brasil, e colocou o verde para representar o gramado. "A bola está no centro, envolta em labaredas amarelas que representam não só o calor do Brasil, um país tropical e pólo turístico, e de seu povo, mas também as melhores seleções do mundo tentando desbancar o país do futebol em sua própria casa", diz Renan Crustian, diretor de criação. "As pontas azuis das labaredas, misturadas ao amarelo, criam uma associação com as alegorias carnavalescas", completa o diretor de atendimento, Fellipe Pedro.
Designer da Copacabana Brasil, Leandro Paradiso conta que a sua idéia foi "colocar o Brasil numa perspectiva de foco do globo terrestre, já que toda a atenção do mundo estará voltada para nós". Ele atenta ainda que "a bola dá um movimento à imagem, como se fosse um quique no gramado, ou mesmo estivesse atravessando o globo terrestre e levando o futebol a todo o mundo".
Confira os cartazes
quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
BRASIL 2014: A experiência de Emiliano Tolivia
RIO DE JANEIRO – A comparação da Copa da Alemanha com uma possível edição brasileira pode ser um tanto ingrata, visto que o torneio de 2006 é tido como um modelo de organização. E foi mesmo. No entanto, não foi perfeito. E, se uma margem mínima de erros é tolerada, a meta do Brasil é copiar o que deu certo e torcer para que as limitações do país não tirem o brilho de um segundo Mundial realizado por aqui. Abaixo, algumas experiências enfrentadas na cobertura feita pelo GLOBOESPORTE.COM.
O que deu certo:
LUGARES MARCADOS
Ir ao primeiro jogo da seleção foi um a aventura bem-sucedida, que certamente no Brasil dos dias atuais seria impossível de acontecer. Saí de Munique rumo a Berlim às 18h, cerca de 500km de distância. Cheguei no aeroporto da capital alemã às 20h. Peguei o primeiro táxi que vi até o estádio, onde fui deixado no ponto limite permitido pela polícia, já que as ruas próximas são fechadas. Após toda a correria, entrei no estádio e, enquanto Brasil e Croácia já se preparavam para dar o pontapé inicial, pude sentar tranqüilamente no meu assento de uma arquibancada absolutamente lotada.
DESLOCAMENTOS
A não ser em Marienfeld, onde Portugal montou sua base, pude chegar aos mais distantes pontos da Alemanha usando o inacreditável sistema de trens. Tanto dentro dos grandes centros como entre um e outro, tudo é interligado. Com a credencial da Fifa, minha viagem de uma cidade a outra era gratuita. Para saber os trajetos e os horários (tais como 9h37m e cumpridos à risca, salvo raras exceções), basta acessar o site próprio, que indica também as conexões necessárias.
EDUCAÇÃO
Antes de seguir para a abertura da Copa, entre Alemanha e Costa Rica, estive na Marienplatz, centro de Munique, para ver o encontro de todas as torcidas do mundo. Segui para estádio de metrô. Havia uma grande fila que, embora ordeira, era lenta. Só ao chegar perto pude perceber que, assim que todos os assentos eram ocupados, as pessoas paravam de entrar. O motivo? Havia dez estações adiante, e, se todo aquele povo ocupasse os vagões, mais ninguém conseguiria entrar. E isso era feito sem qualquer orientação policial! Cheguei ao estádio um pouco apertado, mas nada que lembrasse o horário de rush das principais capitais brasileiras.
ESTÁDIOS
Pequenos, como o de Nuremberg e Stuttgart, ou grandes, como o de Munique e Berlim, os estádios alemães são espetaculares. Confortáveis, seguros e com acessos espaçosos. O construído em Gelsenkirchen é modelo para eles, um cinco estrelas. Teto retrátil e gramado que sai para pegar um solzinho são apenas alguns dos luxos apresentados. Já a Arena de Munique, se ostenta a riqueza alemã por fora, por dentro é até simples, porém muito funcional. Os corredores de cimento são grandes e recheados de banheiros e lanchonetes. Nas paredes, os túneis de acessos muito bem numerados para ninguém se perder.
O que pode melhorar:
CONTROLE DE INGRESSOS
Para quem tinha credencial para entrar no estádio, mas não possuía um ingresso, assistir ao jogo não era uma tarefa difícil. O estádio de Munique, por exemplo, possuía uma espécie de geral informal, onde era possível ficar em pé logo atrás da última fileira de cadeiras, que certamente custavam uma boa soma de euros. Até na final, em Berlim, foi possível recorrer ao jeitinho brasileiro, que ganhou adeptos.
SEGURANÇA
Apesar de todo o medo em torno do terrorismo, a segurança da Copa do Mundo começou bem frouxinha. Eu mesmo desembarquei em Munique sem passar por qualquer detector de metal, o que só aconteceu na conexão em Lisboa. Nos primeiros jogos, o máximo que os controladores das entradas faziam era dar uma espiada dentro da mochila e olhe lá. Contra o Brasil, a torcida da Croácia usou e abusou de sinalizadores, teoricamente proibidos pela Fifa. O rigor só apertou na reta final, quando fui obrigado até a ligar o laptop na entrada do estádio para provar que não era uma bomba. Condizia mais com a neurose do mundo atual.
VOLUNTÁRIOS
Para quem esperava alemães sisudos, foi surpreendente. Além do povo, os voluntários foram extremamente simpáticos. E também solícitos, sorridentes, prestativos e... desinformados! Apesar da boa (ótima) vontade, arrancar informações simples tais como "por onde eu entro?" podia ser uma luta. Tinha sorriso, tinha comunicação, mas informação só depois de consultar o responsável, o único detentor de todos os caminhos. E nem sempre ele estava por perto.
FUTEBOL
Nesse aspecto, o Brasil vai precisar melhorar bastante...
O que deu certo:
LUGARES MARCADOS
Ir ao primeiro jogo da seleção foi um a aventura bem-sucedida, que certamente no Brasil dos dias atuais seria impossível de acontecer. Saí de Munique rumo a Berlim às 18h, cerca de 500km de distância. Cheguei no aeroporto da capital alemã às 20h. Peguei o primeiro táxi que vi até o estádio, onde fui deixado no ponto limite permitido pela polícia, já que as ruas próximas são fechadas. Após toda a correria, entrei no estádio e, enquanto Brasil e Croácia já se preparavam para dar o pontapé inicial, pude sentar tranqüilamente no meu assento de uma arquibancada absolutamente lotada.
DESLOCAMENTOS
A não ser em Marienfeld, onde Portugal montou sua base, pude chegar aos mais distantes pontos da Alemanha usando o inacreditável sistema de trens. Tanto dentro dos grandes centros como entre um e outro, tudo é interligado. Com a credencial da Fifa, minha viagem de uma cidade a outra era gratuita. Para saber os trajetos e os horários (tais como 9h37m e cumpridos à risca, salvo raras exceções), basta acessar o site próprio, que indica também as conexões necessárias.
EDUCAÇÃO
Antes de seguir para a abertura da Copa, entre Alemanha e Costa Rica, estive na Marienplatz, centro de Munique, para ver o encontro de todas as torcidas do mundo. Segui para estádio de metrô. Havia uma grande fila que, embora ordeira, era lenta. Só ao chegar perto pude perceber que, assim que todos os assentos eram ocupados, as pessoas paravam de entrar. O motivo? Havia dez estações adiante, e, se todo aquele povo ocupasse os vagões, mais ninguém conseguiria entrar. E isso era feito sem qualquer orientação policial! Cheguei ao estádio um pouco apertado, mas nada que lembrasse o horário de rush das principais capitais brasileiras.
ESTÁDIOS
Pequenos, como o de Nuremberg e Stuttgart, ou grandes, como o de Munique e Berlim, os estádios alemães são espetaculares. Confortáveis, seguros e com acessos espaçosos. O construído em Gelsenkirchen é modelo para eles, um cinco estrelas. Teto retrátil e gramado que sai para pegar um solzinho são apenas alguns dos luxos apresentados. Já a Arena de Munique, se ostenta a riqueza alemã por fora, por dentro é até simples, porém muito funcional. Os corredores de cimento são grandes e recheados de banheiros e lanchonetes. Nas paredes, os túneis de acessos muito bem numerados para ninguém se perder.
O que pode melhorar:
CONTROLE DE INGRESSOS
Para quem tinha credencial para entrar no estádio, mas não possuía um ingresso, assistir ao jogo não era uma tarefa difícil. O estádio de Munique, por exemplo, possuía uma espécie de geral informal, onde era possível ficar em pé logo atrás da última fileira de cadeiras, que certamente custavam uma boa soma de euros. Até na final, em Berlim, foi possível recorrer ao jeitinho brasileiro, que ganhou adeptos.
SEGURANÇA
Apesar de todo o medo em torno do terrorismo, a segurança da Copa do Mundo começou bem frouxinha. Eu mesmo desembarquei em Munique sem passar por qualquer detector de metal, o que só aconteceu na conexão em Lisboa. Nos primeiros jogos, o máximo que os controladores das entradas faziam era dar uma espiada dentro da mochila e olhe lá. Contra o Brasil, a torcida da Croácia usou e abusou de sinalizadores, teoricamente proibidos pela Fifa. O rigor só apertou na reta final, quando fui obrigado até a ligar o laptop na entrada do estádio para provar que não era uma bomba. Condizia mais com a neurose do mundo atual.
VOLUNTÁRIOS
Para quem esperava alemães sisudos, foi surpreendente. Além do povo, os voluntários foram extremamente simpáticos. E também solícitos, sorridentes, prestativos e... desinformados! Apesar da boa (ótima) vontade, arrancar informações simples tais como "por onde eu entro?" podia ser uma luta. Tinha sorriso, tinha comunicação, mas informação só depois de consultar o responsável, o único detentor de todos os caminhos. E nem sempre ele estava por perto.
FUTEBOL
Nesse aspecto, o Brasil vai precisar melhorar bastante...
BRASIL 2014: A experiência de Ricardo Gonzalez
RIO DE JANEIRO - Depois de fazer a cobertura jornalística de três Copas do Mundo, é possível concluir que há muito trabalho a fazer nos próximos sete anos e meio para que o Brasil consiga realizar um Mundial sem qualquer problema para seus participantes. Confira as características principais das Copas que acompanhei in loco:
. ESTADOS UNIDOS 1994
Há semelhanças com o Brasil no sentido das distâncias continentais. Os EUA compensaram a dificuldade de utilização da malha ferroviária com um eficientíssimo sistema de vôos. Qualquer cidade tinha um aeroporto com escalas e conexões para qualquer parte do país, sem necessidade de marcar com grande antecedência. Além disso, as estradas, mesmo as secundárias, estavam em estado de conservação impecável, e excepcionalmente sinalizadas. Ninguém deixou de chegar a qualquer local por não saber o caminho ou por enfrentar problemas no trânsito.
Principais lições para o Brasil
. Precisa tornar o sistema aéreo mais intenso e eficiente
. Precisa melhorar as condições das estradas
. FRANÇA 1998
Sistema eficiente de transporte, com linhas de trem e metrô para todas as partes do país e da cidade onde se disputava uma partida. Quem usou carro, pagou caro e com antecedência por uma vaga nos estacionamentos nos estádios. O trânsito fluiu bem porque havia alternativas para os motoristas utilizarem outras vias, não próximas ao estádio. Um dos problemas para turistas e jornalistas era que, nas cidades menores, próximas às sedes, os restaurantes fechavam impreterivelmente às 22h.
ALEMANHA 2006
Variedade grande de rotas de trem e metrô para se chegar a qualquer ponto do país. Um sistema informatizado nas estações permitia que o turista fizesse seu roteiro. Pontualidade absoluta na chegada e partida das composições. A deficiência na sinalização das estradas (com placas somente em alemão) era compensada pelo sistema de transporte e pela utilização, nos carros alugados, do sistema GPS de navegação por satélite.
Principais lições para o Brasil
. Precisa tornar eficiente o sistema de metrô, diminuir o tempo de passagem entre uma e outra composição
. Precisa um grande reorganização no sistema de acesso aos estádios nas principais cidades, para evitar os conhecidos engarrafamentos em torno de estádios como Maracanã, Morumbi e Arena da Baixada
. Precisa entender a natureza e a rotina do trabalho de jornalistas, e oferecer opções de alimentação e transporte seguro durante 24 horas por dia
Lições gerais para o Brasil
. Nos três Mundiais, não houve qualquer dificuldade relevante para a transmissão de matérias, seja de estádio, hotéis ou do meio da rua. Nos estádios, era facilmente perceptível a preocupação de funcionários Fifa ou voluntários em facilitar ao máximo o trabalho da mídia
. Nos três países, a preocupação com a segurança foi total. Não se andava 200 metros nas ruas sem que se visse algum policial. Qualquer país está sujeito a vandalismo, e os hooligans estão aí mesmo para provar isso. A diferença em relação ao Brasil é a sensação de impunidade da qual alguns torcedores brasileiros se aproveitam
. Em nenhum dos três mundiais houve qualquer registro de atraso na chegada de um treino, jogo ou coletiva de imprensa por problemas de engarrafamento, por questões climáticas, de tráfego aéreo, dos trens ou ônibus de mídia. A própria Deloitte, empresa que organizou as Copas de 2006 e 2010, lembrou ao presidente Lula que uma Copa tem muito mais chances de dar certo à medida que a imprensa não tem nenhuma queixa a fazer
. ESTADOS UNIDOS 1994
Há semelhanças com o Brasil no sentido das distâncias continentais. Os EUA compensaram a dificuldade de utilização da malha ferroviária com um eficientíssimo sistema de vôos. Qualquer cidade tinha um aeroporto com escalas e conexões para qualquer parte do país, sem necessidade de marcar com grande antecedência. Além disso, as estradas, mesmo as secundárias, estavam em estado de conservação impecável, e excepcionalmente sinalizadas. Ninguém deixou de chegar a qualquer local por não saber o caminho ou por enfrentar problemas no trânsito.
Principais lições para o Brasil
. Precisa tornar o sistema aéreo mais intenso e eficiente
. Precisa melhorar as condições das estradas
. FRANÇA 1998
Sistema eficiente de transporte, com linhas de trem e metrô para todas as partes do país e da cidade onde se disputava uma partida. Quem usou carro, pagou caro e com antecedência por uma vaga nos estacionamentos nos estádios. O trânsito fluiu bem porque havia alternativas para os motoristas utilizarem outras vias, não próximas ao estádio. Um dos problemas para turistas e jornalistas era que, nas cidades menores, próximas às sedes, os restaurantes fechavam impreterivelmente às 22h.
ALEMANHA 2006
Variedade grande de rotas de trem e metrô para se chegar a qualquer ponto do país. Um sistema informatizado nas estações permitia que o turista fizesse seu roteiro. Pontualidade absoluta na chegada e partida das composições. A deficiência na sinalização das estradas (com placas somente em alemão) era compensada pelo sistema de transporte e pela utilização, nos carros alugados, do sistema GPS de navegação por satélite.
Principais lições para o Brasil
. Precisa tornar eficiente o sistema de metrô, diminuir o tempo de passagem entre uma e outra composição
. Precisa um grande reorganização no sistema de acesso aos estádios nas principais cidades, para evitar os conhecidos engarrafamentos em torno de estádios como Maracanã, Morumbi e Arena da Baixada
. Precisa entender a natureza e a rotina do trabalho de jornalistas, e oferecer opções de alimentação e transporte seguro durante 24 horas por dia
Lições gerais para o Brasil
. Nos três Mundiais, não houve qualquer dificuldade relevante para a transmissão de matérias, seja de estádio, hotéis ou do meio da rua. Nos estádios, era facilmente perceptível a preocupação de funcionários Fifa ou voluntários em facilitar ao máximo o trabalho da mídia
. Nos três países, a preocupação com a segurança foi total. Não se andava 200 metros nas ruas sem que se visse algum policial. Qualquer país está sujeito a vandalismo, e os hooligans estão aí mesmo para provar isso. A diferença em relação ao Brasil é a sensação de impunidade da qual alguns torcedores brasileiros se aproveitam
. Em nenhum dos três mundiais houve qualquer registro de atraso na chegada de um treino, jogo ou coletiva de imprensa por problemas de engarrafamento, por questões climáticas, de tráfego aéreo, dos trens ou ônibus de mídia. A própria Deloitte, empresa que organizou as Copas de 2006 e 2010, lembrou ao presidente Lula que uma Copa tem muito mais chances de dar certo à medida que a imprensa não tem nenhuma queixa a fazer
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