quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Brasil pode perder a Copa 2014 para os EUA

A Federação de Futebol dos Estados Unidos se ofereceu como opção caso Brasil ou Colômbia não tenham condições de realizar a Copa do Mundo de 2014 e anunciou que está preparando uma proposta para receber o Mundial de 2018.

O presidente da federação, Sunil Gulati, disse ao jornal Washington Post que a entidade vai formar um comitê organizador durante reunião anual que será realizada no fim de semana, em Los Angeles, e que avisará formalmente à Fifa do interesse de competir pelo torneio de 2018.

A Inglaterra, que recebeu uma Copa do Mundo pela última vez em 1966 (conquistou seu único título neste mundial), também já expressou interesse em receber o Mundial de 2018. “Mostramos em 1994 que os Estados Unidos são capazes de realizar um evento maravilhoso”, disse Sunil Gulati.

“Agora, com a maneira com que o futebol evoluiu neste país, podemos estar em posição de fazer um evento maravilhoso. Fazemos muito mais parte do esporte internacionalmente do que em 1994”, comentou.

Positivo - Desde que os Estados Unidos organizaram o Mundial, há 13 anos, o futebol foi aos poucos crescendo na América do Norte. A Copa do Mundo de 1994, vencida pelo Brasil, estabeleceu o recorde de média de torcedores por partida (68.991) e deu a largada para a Major League Soccer, que despertou interesse mundial no mês passado com a contratação de David Beckham pelo Los Angeles Galaxy.

A seleção do EUA se tornou presença constante nos Mundiais seguintes e alguns dos maiores times do mundo realizam turnês pelo país, jogando em estádios lotados.

A África do Sul será a sede da Copa do Mundo de 2010 e, sob o rodízio de continentes estabelecidos pela Fifa, o Mundial seguinte será na América do Sul. Brasil e Colômbia foram os países que se candidataram.

A Fifa, entretanto, já demonstrou preocupações sobre as condições dos países sul-americanos em receber o torneio. Se a América do Sul não conseguir, Gulati disse que os EUA estão prontos a antecipar os planos.

“Obviamente a Fifa sabe que somos capazes e, se alguma coisa mudar, vamos estar abertos a outras possibilidades”, disse o dirigente. Além dos EUA, Canadá e Austrália já demonstraram interesse em sediar o Mundial de 2014.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Fifa dá prazo para projeto final do Brasil

A Fifa deu até o dia 31 de julho para o Brasil preparar e enviar seu projeto completo sobre como pretende organizar a Copa do Mundo de 2014. A entidade máxima do futebol anunciou ontem que enviou ao Brasil e às autoridades colombianas o caderno de encargos, com as exigências que os candidatos devem seguir se querem conquistar o direito de sediar o Mundial.

A Fifa decidiu acelerar o processo de seleção para a Copa de 2014 com o claro objetivo de tentar favorecer o Brasil. O País, até o fim do ano passado, se apresentava como o único candidato da América do Sul, com apoio das demais federações nacionais da região. No último dia do prazo para países apresentarem candidaturas, a Colômbia anunciou que estava entrando na corrida.

O primeiro prazo é 16 de abril. Até lá, o Brasil e a Colômbia devem enviar à Fifa um formulário em que dirão que estão cientes das exigências para o processo de seleção para 2014. O prazo seguinte é 31 de julho. Até lá, os organizadores dos dois países devem enviar à entidade um plano completo de como irão sediar o Mundial, com projetos detalhados de estádios, infra-estrutura e financiamento. Nesse mesmo dia, a Fifa exigirá uma carta dando garantias oficiais de que apoiarão a organização do evento em seu território. A fase seguinte do processo é a da inspeção e depois a Fifa divulgará um relatório sobre cada país e escolherá, até novembro, o país que ficará com a realização do Mundial de 2014.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Teixeira descarta Morumbi, e abre espaço ao Mineirão para 2014

Caso o Brasil receba a Copa do Mundo de 2014, dificilmente o estádio do Morumbi será utilizado como palco do evento. Pelo menos é o que pensa o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira.

Em visita a Belo Horizonte, nesta terça-feira, o dirigente afirmou que o Brasil precisa providenciar de oito a dez novos estádios para poder abrigar o torneio. Apesar da demanda, ele praticamente descartou a arena do São Paulo.

Neves deu a Teixeira, seu aliado político, uma medalha da Inconfidência em 2004
"Todo mundo sabe que o Morumbi não tem estacionamento e está no meio de uma das áreas mais caras da cidade. Teria de haver uma reforma que seria muito complicada em termos financeiros", disse.

Em compensação, Teixeira afirmou que, entre os estádios atuais, o Mineirão é o que conta com mais vantagens para ser aproveitado. "Talvez seja um dos poucos estádios do Brasil que ainda tem possibilidade, em uma ampla reforma, de fazer tudo aquilo que a Fifa exige. Até porque eu explicava pouco tempo atrás que o Mineirão tem a grande vantagem de ter bastante espaço ao seu entorno para estacionamento e outras obras que sejam necessárias.", completou.

Teixeira entregou ao governador Aécio Neves (PSDB), no Palácio dos Despachos, uma cópia do Caderno de Encargos da Fifa, com as exigências que a entidade máxima do futebol exige para o país-sede do Mundial.

Neves, por sua vez, anunciou a criação de um grupo de trabalho, com os presidentes de América, Atlético e Cruzeiro, para coordenar a ação de Minas Gerais pela Copa.

"Minas está pronta para ser uma das sedes da Copa do Mundo", comentou o governador mineiro. "Esperamos que o Brasil jogue aqui, ou que sejamos sede do jogo inaugural, ou ainda da final da Copa", animou-se.

Em parte do plano da direção da Fifa de fazer a Copa rodar por todos os continentes, a idéia é que o Mundial de 2014 seja na América do Sul. O Brasil tem a Colômbia como sua única concorrente pelo torneio. A candidatura colombiana pegou a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) de surpresa, já que a entidade entendia que havia assegurado a unanimidade em torno da CBF.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, no entanto, já afirmou que tem um "plano B". "Há vários países na linha de largada para organizar a Copa do Mundo, tanto na região como fora dela", disse o suíço durante o Mundial de Clubes no Japão.

A expectativa é que a Fifa anuncie a sede da Copa do Mundo de 2014 em novembro do próximo ano.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

BRASIL 2014: Agências idealizam cartazes da Copa

RIO - A pedido do GLOBOESPORTE.COM, quatro agências de publicidade e uma formanda da Faculdade de Belas Artes da UFRJ idealizaram cartazes para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil - o país disputa com a Colômbia, que entregou à Fifa a sua ficha de inscrição em 18 de dezembro, último dia do prazo dado pela entidade. Nos trabalhos, as empresas Copacabana Brasil, Percepttiva, Studio 311 e Minha Publicidade e a estudante Marcella Garcia deram suas interpretações para um toque brasileiro no Mundial.

Autora de outros cinco trabalhos (clique aqui para conferir), a Percepttiva adotou o lema "Somos feitos de futebol" para o cartaz escolhido por sua equipe de criação. "Para celebrar a inexplicável e incomensurável paixão pelo esporte, mostramos um jogador composto inteiramente por bolas de futebol. Ele é a representação do quanto o futebol toma conta de todos nós, e faz com que o mundo inteiro pare para ver a Copa", explica a agência.

O pôster do Studio 311 é uma "interpretação gráfica do Hino Nacional", explica a designer Gisela Valverde, sócia da empresa. "Ele faz vibrar as cores da nossa bandeira em todas as Copas, e parece que todo o Brasil deu a mão, todos ligados na mesma emoção, todos num só coração". E ela brinca: "E não dá para perder novamente em casa, como em 1950".

Para Marcella Garcia, que cursa o sétimo período de Desenho Industrial na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a idéia foi aproveitar a habilidade do jogador brasileiro. "E o desenho remete à irreverência", diz ela, referindo-se ao lance em que o atleta segura a bola na nuca. "E esta bola representa o mundo com todos os continentes que serão acolhidos no Brasil para a celebração do Mundial".

A agência Minha Publicidade aproveitou as cores da bandeira do brasil, e colocou o verde para representar o gramado. "A bola está no centro, envolta em labaredas amarelas que representam não só o calor do Brasil, um país tropical e pólo turístico, e de seu povo, mas também as melhores seleções do mundo tentando desbancar o país do futebol em sua própria casa", diz Renan Crustian, diretor de criação. "As pontas azuis das labaredas, misturadas ao amarelo, criam uma associação com as alegorias carnavalescas", completa o diretor de atendimento, Fellipe Pedro.

Designer da Copacabana Brasil, Leandro Paradiso conta que a sua idéia foi "colocar o Brasil numa perspectiva de foco do globo terrestre, já que toda a atenção do mundo estará voltada para nós". Ele atenta ainda que "a bola dá um movimento à imagem, como se fosse um quique no gramado, ou mesmo estivesse atravessando o globo terrestre e levando o futebol a todo o mundo".

Confira os cartazes

BRASIL 2014: A experiência de Emiliano Tolivia

RIO DE JANEIRO – A comparação da Copa da Alemanha com uma possível edição brasileira pode ser um tanto ingrata, visto que o torneio de 2006 é tido como um modelo de organização. E foi mesmo. No entanto, não foi perfeito. E, se uma margem mínima de erros é tolerada, a meta do Brasil é copiar o que deu certo e torcer para que as limitações do país não tirem o brilho de um segundo Mundial realizado por aqui. Abaixo, algumas experiências enfrentadas na cobertura feita pelo GLOBOESPORTE.COM.

O que deu certo:

LUGARES MARCADOS
Ir ao primeiro jogo da seleção foi um a aventura bem-sucedida, que certamente no Brasil dos dias atuais seria impossível de acontecer. Saí de Munique rumo a Berlim às 18h, cerca de 500km de distância. Cheguei no aeroporto da capital alemã às 20h. Peguei o primeiro táxi que vi até o estádio, onde fui deixado no ponto limite permitido pela polícia, já que as ruas próximas são fechadas. Após toda a correria, entrei no estádio e, enquanto Brasil e Croácia já se preparavam para dar o pontapé inicial, pude sentar tranqüilamente no meu assento de uma arquibancada absolutamente lotada.

DESLOCAMENTOS
A não ser em Marienfeld, onde Portugal montou sua base, pude chegar aos mais distantes pontos da Alemanha usando o inacreditável sistema de trens. Tanto dentro dos grandes centros como entre um e outro, tudo é interligado. Com a credencial da Fifa, minha viagem de uma cidade a outra era gratuita. Para saber os trajetos e os horários (tais como 9h37m e cumpridos à risca, salvo raras exceções), basta acessar o site próprio, que indica também as conexões necessárias.

EDUCAÇÃO
Antes de seguir para a abertura da Copa, entre Alemanha e Costa Rica, estive na Marienplatz, centro de Munique, para ver o encontro de todas as torcidas do mundo. Segui para estádio de metrô. Havia uma grande fila que, embora ordeira, era lenta. Só ao chegar perto pude perceber que, assim que todos os assentos eram ocupados, as pessoas paravam de entrar. O motivo? Havia dez estações adiante, e, se todo aquele povo ocupasse os vagões, mais ninguém conseguiria entrar. E isso era feito sem qualquer orientação policial! Cheguei ao estádio um pouco apertado, mas nada que lembrasse o horário de rush das principais capitais brasileiras.

ESTÁDIOS
Pequenos, como o de Nuremberg e Stuttgart, ou grandes, como o de Munique e Berlim, os estádios alemães são espetaculares. Confortáveis, seguros e com acessos espaçosos. O construído em Gelsenkirchen é modelo para eles, um cinco estrelas. Teto retrátil e gramado que sai para pegar um solzinho são apenas alguns dos luxos apresentados. Já a Arena de Munique, se ostenta a riqueza alemã por fora, por dentro é até simples, porém muito funcional. Os corredores de cimento são grandes e recheados de banheiros e lanchonetes. Nas paredes, os túneis de acessos muito bem numerados para ninguém se perder.

O que pode melhorar:

CONTROLE DE INGRESSOS
Para quem tinha credencial para entrar no estádio, mas não possuía um ingresso, assistir ao jogo não era uma tarefa difícil. O estádio de Munique, por exemplo, possuía uma espécie de geral informal, onde era possível ficar em pé logo atrás da última fileira de cadeiras, que certamente custavam uma boa soma de euros. Até na final, em Berlim, foi possível recorrer ao jeitinho brasileiro, que ganhou adeptos.

SEGURANÇA
Apesar de todo o medo em torno do terrorismo, a segurança da Copa do Mundo começou bem frouxinha. Eu mesmo desembarquei em Munique sem passar por qualquer detector de metal, o que só aconteceu na conexão em Lisboa. Nos primeiros jogos, o máximo que os controladores das entradas faziam era dar uma espiada dentro da mochila e olhe lá. Contra o Brasil, a torcida da Croácia usou e abusou de sinalizadores, teoricamente proibidos pela Fifa. O rigor só apertou na reta final, quando fui obrigado até a ligar o laptop na entrada do estádio para provar que não era uma bomba. Condizia mais com a neurose do mundo atual.

VOLUNTÁRIOS
Para quem esperava alemães sisudos, foi surpreendente. Além do povo, os voluntários foram extremamente simpáticos. E também solícitos, sorridentes, prestativos e... desinformados! Apesar da boa (ótima) vontade, arrancar informações simples tais como "por onde eu entro?" podia ser uma luta. Tinha sorriso, tinha comunicação, mas informação só depois de consultar o responsável, o único detentor de todos os caminhos. E nem sempre ele estava por perto.

FUTEBOL
Nesse aspecto, o Brasil vai precisar melhorar bastante...

BRASIL 2014: A experiência de Ricardo Gonzalez

RIO DE JANEIRO - Depois de fazer a cobertura jornalística de três Copas do Mundo, é possível concluir que há muito trabalho a fazer nos próximos sete anos e meio para que o Brasil consiga realizar um Mundial sem qualquer problema para seus participantes. Confira as características principais das Copas que acompanhei in loco:

. ESTADOS UNIDOS 1994

Há semelhanças com o Brasil no sentido das distâncias continentais. Os EUA compensaram a dificuldade de utilização da malha ferroviária com um eficientíssimo sistema de vôos. Qualquer cidade tinha um aeroporto com escalas e conexões para qualquer parte do país, sem necessidade de marcar com grande antecedência. Além disso, as estradas, mesmo as secundárias, estavam em estado de conservação impecável, e excepcionalmente sinalizadas. Ninguém deixou de chegar a qualquer local por não saber o caminho ou por enfrentar problemas no trânsito.


Principais lições para o Brasil

. Precisa tornar o sistema aéreo mais intenso e eficiente
. Precisa melhorar as condições das estradas

. FRANÇA 1998

Sistema eficiente de transporte, com linhas de trem e metrô para todas as partes do país e da cidade onde se disputava uma partida. Quem usou carro, pagou caro e com antecedência por uma vaga nos estacionamentos nos estádios. O trânsito fluiu bem porque havia alternativas para os motoristas utilizarem outras vias, não próximas ao estádio. Um dos problemas para turistas e jornalistas era que, nas cidades menores, próximas às sedes, os restaurantes fechavam impreterivelmente às 22h.

ALEMANHA 2006

Variedade grande de rotas de trem e metrô para se chegar a qualquer ponto do país. Um sistema informatizado nas estações permitia que o turista fizesse seu roteiro. Pontualidade absoluta na chegada e partida das composições. A deficiência na sinalização das estradas (com placas somente em alemão) era compensada pelo sistema de transporte e pela utilização, nos carros alugados, do sistema GPS de navegação por satélite.

Principais lições para o Brasil

. Precisa tornar eficiente o sistema de metrô, diminuir o tempo de passagem entre uma e outra composição
. Precisa um grande reorganização no sistema de acesso aos estádios nas principais cidades, para evitar os conhecidos engarrafamentos em torno de estádios como Maracanã, Morumbi e Arena da Baixada
. Precisa entender a natureza e a rotina do trabalho de jornalistas, e oferecer opções de alimentação e transporte seguro durante 24 horas por dia

Lições gerais para o Brasil

. Nos três Mundiais, não houve qualquer dificuldade relevante para a transmissão de matérias, seja de estádio, hotéis ou do meio da rua. Nos estádios, era facilmente perceptível a preocupação de funcionários Fifa ou voluntários em facilitar ao máximo o trabalho da mídia

. Nos três países, a preocupação com a segurança foi total. Não se andava 200 metros nas ruas sem que se visse algum policial. Qualquer país está sujeito a vandalismo, e os hooligans estão aí mesmo para provar isso. A diferença em relação ao Brasil é a sensação de impunidade da qual alguns torcedores brasileiros se aproveitam

. Em nenhum dos três mundiais houve qualquer registro de atraso na chegada de um treino, jogo ou coletiva de imprensa por problemas de engarrafamento, por questões climáticas, de tráfego aéreo, dos trens ou ônibus de mídia. A própria Deloitte, empresa que organizou as Copas de 2006 e 2010, lembrou ao presidente Lula que uma Copa tem muito mais chances de dar certo à medida que a imprensa não tem nenhuma queixa a fazer